Artigos
OPINIÃO DE UM EMPRESÁRIO
Empresariado prevê 2017 difícil para Construção Civil no Piauí
05/01/2017 por Luis Henrique Barros
Dificuldades afetam nível de emprego e vão se arrastar por este ano. Estado foi o terceiro que mais demitiu de janeiro a outubro do ano passado.
Tamanho da fonte A A
<

Construção civil é responsável pelo maior número de demissões (Foto: Ana Luiza/G1)

A queda do emprego na construção civil afeta as projeções para 2017 no setor. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Piauí (Sinduscon), André Baía, acredita que uma retomada no setor só deve ser possível no final do próximo ano. A expectativa é que os próximos três trimestres sejam ainda de dificuldades e uma tímida retomada ao fim do ano para um reaquecimento somente em 2018.

Dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) mostram que o Piauí  foi um dos estados com maior aumento no desemprego no setor da construção civil. A queda no nível de emprego foi de 21%, de janeiro até outubro de 2016. Para André Baía as dificuldades estarão presentes no setor por todo o ano de 2017.

“A retomada do setor começa no último trimestre desse ano. É o que a gente está esperando. A gente acha que vai ter ainda três trimestres bem duros e um início de retomada no último trimestre de 2017 e em 2018 começa a recuperar”, disse André Baía pleiteando também por reformas a serem aprovadas em nível nacional, como a trabalhista e a previdenciária.

De janeiro a outubro de 2016, os estados de Rondônia (-40,5%), Pará (-25,9%) e Piauí (-21,4%) foram os que tiveram as quedas mais expressivas no nível de emprego. “2016 foi um ano duro, duríssimo, mas temos que, dentro dos anos duros, tirar as lições genuínas e verdadeiras. A gente está nessa situação hoje por desorganização das contas públicas”, comentou a respeito do setor que hoje ocupa 40% do Produto Interno Bruto (PIB) da Indústria.

André Baía diz que a crise é de longa duração e vem causando efeitos principalmente no nível de emprego ao longo dos últimos dois anos. “A gente demitiu muito, algo em torno de 50%. Em dezembro de 2014 eram 40 mil postos e hoje são só 20 mil”, afirmou o presidente do Sinduscon. A crise afetou tanto o setor privado, quanto o público com o prejuízo para as condições das empresas terem acesso a crédito.

“O setor público afetou muito porque o crédito esclerosou, teve alta de juros. Houve a tempestade perfeita porque teve recessão, juro alto e inflação de 2015 para cá. São vários fatores que afetam o nosso setor que depende de uma economia saudável”, destacou André Baía.

Para o diretor administrativo do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário do Piauí (Sitricom), José Gomes, a expectativa também não é das melhores. Ele acredita que dificilmente o estado vai recuperar o emprego formal para o primeiro semestre deste ano.

"O governo não tem apresentado condições de credibilidade para a classe empresarial, que têm investido menos. Meu medo é que os trabalhadores passem a mesma situação da década de 80, quando se registrou maior número de desemprego. Esperamos alguma medida de curto prazo do governo para melhorar a situação", avaliou.

Já o secretário de administração do Piauí, Franzé Silva, disse que preocupação do governo estadual é de manter um ritmo de investimento, através da parceria do público-privado e do 10% oriundo da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos gastos para construção civil.

"Nesse momento fazemos esta mudança justamente para que possamos ampliar o número de investimentos no Piauí. Na contrapartida vamos procurar convênios federais para as construções de escolas, hospitais e presídios, desta forma gerando emprego no estado", pontuou o secretário.

Outra medida do governo, segundo Franzé, é a realização do segundo Feirão Habitar Servidor, que financia casas para os trabalhadores estaduais. Ele também destacou que ao contrário dos outros estado, o Piauí encontra-se organizado e por este motivo espera atrair mais os empresários.

"O objetivo é fazer que os empreendimentos tenha maior circulação em suas vendas, surgindo a partir daí novos e aquecendo o mercado imobiliário", comentou.

Fonte: G1

© 2017. | Manchete Piaui | Todos os direitos reservados.
Rua Monsenhor Hipólito, Nº 870, Sala 302, Centro, Picos – PI.
Celular / WhatsApp: (89) 9 9909-8954 - Email: manchetepiaui@gmail.com
Somente os artigos não assinados são de responsabilidade do Manchete Piaui.
Os demais, não representam necessariamente a opinião desta editoria
e são de inteira responsabilidade de seus autores.